segunda-feira, 21 de maio de 2018

Reflexões de uma pedagoga

educadores(Imagem: Reprodução)

Tenho medo de tornar-me uma velhota enjoada, daquelas que reclamam de tudo. Juro que tenho tentado evitar tal futuro quase certo, mas a situação atual está levando-me à loucura! Trabalhar dando conta do trabalho dos outros é um dos mais ingratos dos ofícios! Pois é esse o principal viés da função de pedagoga.

Saudades eu tenho de ser professora regente... Planejava a aula e a executava do melhor jeito possível. Dava certo. Era gratificante. Da porta pra dentro da sala de aula eu respondia e a coisa andava. Os alunos aprendiam. E eu aprendia com eles e ia aperfeiçoando-me como profissional. Era motivador!

Mas, como pedagoga, o leque é mais abrangente. Dou conta do que se passa em muitas salas de aula, envolvendo muitos alunos, suas especificidades, suas famílias, seus professores, os especializados, a equipe gestora, a assessoria da Secretaria de Educação e muito mais… Enfim, todo o processo envolvido. Na escola, todos procuram a pedagoga que, por ofício, precisa necessariamente saber… de tudo! Ou, pelo menos, é o que se espera. Vida difícil essa.

Fico pensando se as pessoas se dão conta dessa conta. Cobrar é fácil. Exigir qualidade da escola é dever. Mas concentrar toda a cobrança em uma única profissional é injusto. Afinal, tudo em uma escola é pedagógico!

O especialista em Educação não é o “Todo Poderoso”. Existem demandas que não são da sua alçada. É preciso separar as coisas. Há competências da direção, da coordenação, do próprio professor, da família, do aluno. Ser aquele que delega, que distribui, que orienta, que lidera, que faz, que realiza, que dá conta, que prevê, que planeja, que mensura… é para os fortes! Para as fortes!

Ontem, 20 de maio, foi o Dia do Pedagogo. Recebi muitos parabéns e mensagens de carinho. Mas o que eu gostaria mesmo era de ter o trabalho reconhecido e compartilhado igualmente entre todos os agentes do processo.

Considero a educação tal como uma corrente, resistente, onde todos os educadores são seus elos formadores, igualmente responsáveis pelo ensino ofertado. Juntos somos fortes e podemos mais, sem sobrecarregar ninguém. Essa corrente movimentaria uma bicicleta que, pedalada pelo aluno, protagonista do seu processo de aprendizagem, o levaria pelo mundo do conhecimento.

Educadores mostram o caminho. Fornecem as ferramentas necessárias. Cabendo aos alunos, o trilharem com autonomia. A direção é o futuro que, na prática, para eles, já começou. E o plano dessa viagem está nas mãos dos pedagogos.

Parabéns para nós! Desejo muita saúde e garra, porque a tarefa é árdua, mas de extrema importância.

pedagogos(Créditos na imagem)

(E você? Cumprimentou os pedagogos da escola do seu filho? Ainda está em tempo…)

domingo, 20 de maio de 2018

domingo, 6 de maio de 2018

Um “show” bem na hora da janta…

show_dos_famosos_helga_0605_2_fixed_large(Imagem: Reprodução Globo/Uol)

Vocês que assistem TV, me ajudem.

Eu queria entender se o Show dos Famosos pretende homenagear grandes artistas ou fazer piadas com eles… Não que eu costume acompanhar o quadro, nem, muito menos, tenha o hábito de assistir ao programa. Mas, hoje, no horário da janta, achei de ligar a televisão, justo da hora que passava o tal show…

Gostei da apresentação do tal ator Silvero Pereira, caracterizado de Gal Costa, cantando “Festa do Interior”. A voz dele, em substituição à da verdadeira, foi-me mais aprazível! Mais grave. Gosto mais. Homem cantando Gal. E aí Cláudia Raia, a jurada, justamente por isso, tece-lhe críticas… Vai entender!

Sandra de Sá mascarada de Aretha Franklin arrasou na performance! Irreconhecível. Eu bem que a preferiria caracterizada, sem a máscara. Mas ela foi fantástica na apresentação. Comedida nos gestos, soltando o vozeirão, parecendo mesmo outra pessoa. Surpreendeu-me.

A seguir, o pior da noite: a interpretação caricata de uma tal de Helga Nemeczyk, que deveria ser uma homenagem a Ana Carolina. Embora tenham caprichado na caracterização, a apresentação foi sofrível.

Eu que sou fã da cantora, fiquei envergonhada. Tudo exagerado. Ana não é assim… E quando a atriz acabou de cantar, fez uma série de piadas infames com a "machização" de Ana Carolina. Cláudia Raia embarcou na dela. Atrizes sem noção! Brincadeiras têm limites! Como bem disse meu amigo João Porto, “lésbicas não são uma projeção escrota do macho”.

E o tal quadro do programa encerrou-se com Paulo Ricardo interpretando Dinho, do Mamonas Assassinas, e sua brasília amarela. Ele esforçou-se… Louvável pelo esforço. E só. Porém quando se trata dos Mamonas Assassinas é sempre muita emoção envolvida. Valeu só para a gente lembrar-se daqueles meninos levados e talentosos que nos deixaram tão cedo…

De tudo isso, aprendi uma coisa: jantar somente com a TV desligada. Muito melhor pra saúde. Certos programas podem causar indigestão.

Boa semana, galera.

terça-feira, 1 de maio de 2018

Aos trabalhadores, no seu dia

professores

Hoje é o Dia do Trabalho. E a maioria dos trabalhadores comemora com folga, aproveitando o feriado! Mas o 1º de maio é dia para reflexão.

O trabalhador brasileiro anda mal amparado. Salários congelados. Sindicatos enfraquecidos (e pouco representativos). Leis trabalhistas injustas, retrocedendo nas conquistas historicamente obtidas. Saúde pública doente. Planos de Saúde cada vez mais inacessíveis. Aposentadoria, direito cada vez mais distante. Desvalorização social... Andamos mesmo mal!

Trabalhamos muito, merecemos muito, recebemos muito pouco em contrapartida.

Não bastam palavras bonitas de um “presidente”, no horário nobre da TV. Não consolam. Nem exaltam. Faltam ações de políticas públicas reais. Faltam leis que façam a diferença, no reconhecimento de cada categoria profissional. Porque todas são igualmente importantes nas suas diferenças!

Parabéns, trabalhadores e trabalhadoras brasileiras! De mim, que sei o mérito da força do seu trabalho na construção deste país, o meu agradecimento.

Em especial, aos trabalhadores e trabalhadoras da Educação, colegas, que constroem os alicerces de todas as demais profissões, o meu carinhoso abraço.

terça-feira, 24 de abril de 2018

A porta do coração

porta do coração(Imagem: Reprodução)

A sua porta tem estado aberta? E eu não falo daquela de madeira ou de ferro que fica na entrada da sua casa. Falo da porta do seu coração.

Porta aberta para o amor, para as amizades, para a vida.

Tem gente que reclama da solidão, mas não vê que mantém sua porta fechada. Como alguém pode chegar? As pessoas se aproximam de quem se deixa alcançar…

Portas do coração se abrem com atitudes e permissões. Com consentimentos. E com sentimentos. Portas que se abrem, assumindo riscos de errar… Investir em pessoas é sempre arriscado. Mas compensador.

Viver sozinho, sem compartilhar, faz adoecer.

Tem gente que já está doente e nem percebeu. Tem gente que empurra a porta dos corações alheios forçando entrada. Estabacam-se. Sem permissão é impossível adentrar! Quanto mais tentam, mais ficam de fora.

Cada coração tem uma porta. Cada porta tem uma chave. Tem gente que a usa e é feliz. Outros não. Tem gente que tem a chave do coração do outro, mas não quer usar. Deixa lá o pobre coração vazio e abandonado… Infelicidade recíproca.

Portas abertas para o novo, para o inusitado, para o ousado, para o antes nunca tentado… Quem sabe um caminho diferente?

Portas abertas para o conhecido, o reformado, o reabilitado, para o que foi e agora retorna reformulado… Quem sabe vale uma nova tentativa?

Portas abertas para as conversas prolongadas, debates acalorados, chocolates quentes ou cervejas geladas, muito bem acompanhadas… Quem sabe uma nova ou velha amizade?

Vale a pena abrir a porta do coração. Amar-se em primeiro lugar, mas compartilhar amor e outros bons sentimentos também faz bem. Edifica.

Fique sozinho, se for sua opção. Mas não sinta-se sozinho. Basta abrir a porta…

A porta certa.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Sobre a fé

orar(Imagem: Reprodução)

E quando a pomos a nossa fé em prova e ela não nos decepciona?! É a glória!!!

Tudo arranjadinho, do nosso jeito, de acordo com as nossas necessidades e desejos... Tudo bem a calhar. Enfim, deu certo!

Pedimos e recebemos. Oramos e o pedido foi atendido. Mais uma graça alcançada. Mais uma súplica a agradecer.

A vida também tem dessas coisas. Quem é de fé sabe do que estou falando. Há coisas que só quem crê consegue explicar. Porque há algo de inexplicável no maravilhoso!

Ainda bem que esse misterioso e encantador lado da vida faz parte do meu cotidiano. Sou uma mulher de fé. Acredito que há "algo" que nos rege, nos guarda, nos ilumina, nos guia e está sempre pronto para nos ajudar. Nem é preciso pedir... Sabe de todas as coisas. E cada um escolhe como quer Lhe chamar. Porque o que menos importa é como Lhe "batizamos". O principal é como Ele está enraizado nos nossos corações e conduz a nossa vida.

Você tem deixado uma porta aberta para Ele entrar?

fé(Imagem: Reprodução)

terça-feira, 10 de abril de 2018

Sobre a morte

saudade(Imagem: Reprodução)

Tão relativa essa história de morrer… Basta estar vivo, porque a morte faz mesmo parte da vida. Bebês morrem. Jovens e crianças morrem. Adultos, idosos, parentes, pais, filhos, amigos, conhecidos, desconhecidos…

Gente morre. E a gente sofre com a perda e a saudade. Não tem como ser diferente. Não tem como interromper o ciclo da vida, por mais que queiramos. Somos impotentes.

É claro que existe uma certa ordem natural das coisas. Aquele velho ciclo a priori: nascer, crescer, se reproduzir e morrer. Mas essa disposição, muitas vezes, é alterada… Quer coisa mais difícil do que uma mãe enterrar seu filho? Não gosto nem de pensar!

À medida que envelhecemos, vamos contamos essas perdas. Familiares, conhecidos, amigos, vizinhos. Pessoas com quem convivemos partem de nossas vidas. Quanto mais vivemos, mais vamos perdemos pessoas queridas pelo caminho. Isso também faz parte do viver… E é terrível.

Ontem, perdi um primo da mesma idade que eu. O primeiro do lado materno. Não éramos próximos; morávamos, há muitos anos, em estados diferentes, o que dificultou nossa aproximação. Mas eu o amava. Uma pequena, mas significativa lembrança, fez da sua passagem pela minha vida ter valido a pena.

Há muitos anos atrás, quando eu tinha sete anos, no justo momento em que acabara de receber a notícia da morte do meu pai, corri para o fundo do quintal me desabar em lágrimas… Tristeza absoluta. E ele, meu primo, estava lá, do meu lado, tentando, na sua inocência de também criança me consolar. Ele esteve comigo no meu pior momento. E não saiu do meu lado. Nem da minha memória. Nunca esqueci.

Provavelmente sua mãe, irmã, esposa, filhos e netos também precisam, hoje, de alguém por perto. Um ombro amigo. Uma presença consoladora. E eu, distante, não pude estar. Peço a Deus que lhes envie um anjo representante meu.

A vida segue e tem lá seus caminhos e encruzilhadas. Só nos resta percorrer até que chegue a nossa própria hora de partir…

Vamos que vamos. E do melhor jeito de der.


"Deus tem um jardim que é a Terra, e toda vez que Ele quer colher algumas das flores mais bonitas, Ele tira uma flor da Terra e fica pra Ele."

quinta-feira, 5 de abril de 2018

domingo, 1 de abril de 2018

Minha matéria favorita

jogos

Almoço em família para celebrar a Páscoa. Já é nossa tradição.

Depois de arrumar a cozinha, a gente se reúne para ver televisão, por os papos em dia, jogar jogos de tabuleiro. Momentos gostosos de interação familiar.

Sempre tem alguém que consegue tirar um cochilo em meio a conversa alta. Outros têm a habilidade de manter a conversa interessante, mesmo com a tv ligada procurando atrapalhar. Mas eu sou da turma que joga, que continua na mesa.

Temos muitas caixas de jogos. A maioria bem antiga: Detetive, Master, Imagem e Ação, Perfil 2 e Perfil 3, Situação Limite, Talento, Ponto de Vista, Jogo da Vida. Quando tem muita gente é sempre mais divertido. Não perdemos a oportunidade.

Hoje, ao jogarmos Situação Limite, saiu uma pergunta para a minha sobrinha responder: qual a matéria escolar ela mais gostava. Tínhamos que adivinhar sua respostar para pontuarmos. Mesmo lidando cotidianamente com ela, há dezessete anos, foi muito difícil acertar sua resposta… Eram quatro opções: Matemática, Desenho, Educação Física e Português.

Não precisa dizer que ela escolheu Educação Física e eu errei. Achei que ela iria optar por Matemática. Boba que sou… Mas fiquei com essa questão na cabeça… Qual seria a minha matéria favorita no tempo escolar?

Depois que todo mundo foi embora e eu fui arrumar a casa, ainda estava matutando com a questão. Não consegui chegar a uma conclusão na escolha por uma área do conhecimento específica... Sou mesmo generalista!

Na verdade, até cheguei, pois, para mim, a matéria favorita era aquela que eu me identificava melhor com o professor que a ministrava. Simples assim. Se eu tivesse afinidades com o/a professor/a e com o seu jeito de ensinar, eu morria de amores pela sua matéria! Aprendia que era uma beleza. Se o contrário acontecesse, era um caos total.

Detestei sociologia, no Ensino Médio, por causa da professora, que foi injusta comigo e me constrangeu na frente da turma. Já em Língua Portuguesa, consigo ainda ver a professora declamando versos lindamente, enquanto mexia nos cabelos… Uma cena encantadora! Sou fã de literatura.

Sou assim. Sempre fui.

Difícil separar a figura do professor do que ele me ensinava. E se você quiser saber um segredo, continuo do mesmo jeito. Até no Curso de Especialização, professores ainda fazem a diferença para mim. Pro bem ou pro mal.

Por isso é que, profissionalmente, como pedagoga, tento enfatizar para os professores com quem trabalho, a importância do seu papel na vida escolar dos alunos. Ser cordial, buscar a empatia, usar de afetividade pode sim fazer muita diferença! Em certos casos, até mais do que exercícios de fixação e boas aulas expositivas ou de pesquisa.

Gente que confia na gente, acredita na gente e gosta da gente nos abre caminhos. E, como resposta, nos apaixonamos pela matéria que ele nos ensina. Se torna a nossa favorita. Aprendemos mais e melhor! Só que aí o ano acaba, trocam os professores e começa tudo de novo…

Vida que segue.

E falando em vida, uma feliz Páscoa para você. Vida nova!

segunda-feira, 19 de março de 2018

Encerrando o dia com “chave de ouro”

00-barata                                       (Imagem: Reprodução)

Depois de um dia pesado, rezando pra chegar logo e entrar em casa, resolvo dar uma passadinha primeiro, no armário de correspondência dos apartamentos, na portaria do meu prédio.

Carta não tinha nenhuma, nem de cobrança, por milagre, mas saí de lá acompanhada: uma baratona pegou carona nas costas da minha blusa!

Eu achei que tinha visto algo. Me sacudi aflita. Nada aconteceu. Pensei que tinha sido só impressão. Subi os poucos degraus até o meu apartamento. Entrei. Mas a sensação de que algo estava errado ainda me dominava…

Fui na área de serviço. Passei pela cozinha. Entre na sala e aí… A barata resolveu andar pelo meu braço! Que horror!

Peguei a primeira coisa que achei pela frente e taquei nela, ou seja, em mim mesma! Era uma calcinha que estava no alto da pilha de roupas para passar… Calcinha e barata foram para o chão. Felizmente cada uma para um lado.

Matei a barata com tanta raiva que até me admirei!

Mas a “condenação à morte” veio como resultado da sua audácia em desafiar-me e aproveitar-se da minha fragilidade e cansaço ao final de um longo dia tenso de trabalho…

No fundo, no fundo mesmo, a pobre barata pagou o pato.